16/05/2012

Medula Espinhal: lesão e tratamento


Medula Espinhal

A medula espinhal faz parte do sistema nervoso central, sendo a continuação do encéfalo (cérebro), que se encontra ao longo da coluna vertebral, no interior do canal vertebral.
Inicia na junção do crânio com a primeira vértebra cervical e termina entre a primeira e segunda vértebra lombar, medindo cerca de 40cm. Abaixo dessa região as raízes nervosas lombares e sacrais ocupam o canal vertebral, formando conjunto conhecido como cauda equina.

 A medula espinhal tem formato cilíndrico e achatado no diâmetro antero-posterior.

Dela partem raízes nervosas, onde há a fusão de duas raízes, uma ventral (anterior) e outra dorsal (posterior) que forma o nervo espinhal. A raiz dorsal possui fibras sensitivas (mandam informações ao cérebro) e a raiz ventral possui fibras motoras (recebem informações do cérebro).

Da coluna partem 31 pares de nervos espinhais, por meio dos quais a medula se conecta com as várias partes do corpo, recebendo as informações de diversos pontos do corpo (impulsos sensoriais), enviando-as para o cérebro e deste recebendo mensagens (impulsos motores), para ao final, transmiti-las para o resto do corpo.











Sendo assim, a medula é responsável pela transmissão dos impulsos nervosos entre o cérebro e o restante do corpo.








Lesão Medular
 A lesão medular é a interrupção de condução de impulsos (informações) motores e sensitivos ao longo da medula, podendo ocorrer por duas causas: lesões traumáticas e não traumáticas.

A mais comum das lesões medulares é a traumática, que tem seu mecanismo de lesão relacionada a uma força intensa aplicada contra a vértebra. Essa força pode se dar em decorrência de quedas, rotações da coluna, acidentes automobilísticos (causa mais comum), projéteis de arma de fogo, entre outros.





As não traumáticas ocorrem por doenças vasculares (má-formação, trombose, embolia), algumas infecções, neoplasias (câncer) medulares, esclerose múltipla.

Classificação das lesões:
Normalmente, as lesões medulares estão divididas em duas amplas categorias, conforme o local (nível) e o comprometimento:
 Tetraplegia: Quando há lesão na região cervical (nível neurológico acima de T1), Refere-se à diminuição ou perda sensibilidade e/ou movimento nos braços, assim como no tronco, órgão pélvicos (bexiga, intestinos) e pernas.
Paraplegia: É causada por lesão na torácica, ou lombar, ou cauda equina. Tendo diminuição ou perda da sensibilidade e/ou movimento no tronco, nas pernas e nos órgãos pélvicos - dependendo do nível de lesão. Na paraplegia, a função dos braços está preservada.

Tipos de Lesões:
Lesão Medular Completa
No caso de lesão medular completa toda a comunicação entre o cérebro e o corpo é interrompida, não havendo nenhuma função motora ou sensorial.
Lesão Medular Incompleta: há alguma função motora e/ou sensorial abaixo do nível da lesão (localização na coluna).
Manifestações Clínicas:
Na fase aguda da lesão ocorre o choque medular, fazendo com que o paciente fique paralisado (indiferente do tipo de lesão), sem reflexos e hipotônico - diminuição do tônus muscular, “flacidez” dos membros. Com passar do tempo pode haver recuperação dos movimentos, normalização dos reflexos e do tônus muscular, mas usualmente o choque medular é seguido pela hipertonia (aumento do tônus) - nos níveis abaixo da lesão -, onde o paciente fica com os membros “rígidos”.

Nas lesões medulares completas há paralisia (perda de movimento) e perdas sensitivas abaixo da lesão (tátil, dolorosa, para temperatura, pressão e localização de partes do corpo no espaço). Também ocorre alteração do controle esfincteriano (urinário e fecal).
Nas tetraplegias(lesões cervicais) ocorre paralisia e perda de sensibilidade dos quatro membros e no tronco. Pode ocorrer insuficiência respiratória devido ao comprometimento do nervo que comanda a contração do diafragma (músculo utilizado na respiração). Nas lesões cervicais baixas observa-se paralisia dos membros inferiores e das mãos.
Comprometimentos Motores e Sensoriais: haverá perda parcial ou perda completa da função muscular abaixo do nível da lesão, ou seja, seu acometimento vai depender do nível neurológico e do tamanho da lesão medular.

Comprometimentos indiretos e complicações: em decorrência da lesão medular a pessoa pode apresentar quadros de úlceras de pressão (escarras) a pneumonia, embolia pulmonar, trombose venosa profunda, infecções urinárias e intestinais. Aparecem, também, contraturas, ossificações e dores, sintomas relacionados à falta de movimentação dos pacientes.

Tratamento
O acompanhamento do paciente com lesão medular deve ser feito por uma equipe interdisciplinar, fisioterapeuta, médico, enfermeiro, terapeuta ocupacional, psicólogo, assistente social, nutricionista, fonoaudiólogo (em alguns casos), dentre outros.
O tratamento fisioterapêutico deve ser realizado de forma precoce, ou seja, desde o surgimento da lesão, ainda no leito hospitalar.
O fisioterapeuta avalia o paciente constantemente e, conforme as suas necessidades, traça um programa de tratamento específico.
Os objetivos serão:
I- Prevenir agravos e complicações (úlceras de decúbito, encurtamento muscular etc);
II- Estimular o potencial remanescente do sistema nervoso do paciente, no sentido de recuperar os seus movimentos;
III- Estimular ao máximo a autonomia do paciente para que retome suas atividades de vida diária com maior independência possível.  

Podem ser usadas várias técnicas no tratamento de um lesado medular. Como exemplo, destacamos: posicionamentos, alongamentos, exercícios passivos, reforço muscular, estimulação sensorial, treino de equilíbrio e controle postural. Também podem auxiliar no tratamento as órteses (coletes, muletas), pranchas ortostáticas (estrutura que deixa o paciente em pé), eletroestimulação (uso de corrente elétrica para provocar contração de músculos paralisados ou fracos) entre outros.


 A prática de atividades e exercícios físicos são extremamente indicados, e devem ser realizados de forma contínua, visando a independência e autonomia deste paciente. O Pilates e a Hidroterapia são algumas das alternativas.













Texto: Kátia Rech
Revisão e edição: Leonardo Leal

06/05/2012

OSGOOD SCHLATTER

O que é?

A doença Osgood Schlater surge normalmente em jovens atletas em fase de crescimento, fase esta que chamamos de “estirão de crescimento”. Trata-se de uma condição comum caracterizada por traumatismo por tração do local no qual se insere uma parte do tendão patelar (tendão do joelho).
Suas principais características são: dores na região do joelho que surge durante ou após atividade física e melhora com o repouso, especificamente em situações onde há uma atividade muscular aumentada do músculo quadríceps, e uma proeminência óssea visível fora dos padrões normais na região da tuberosidade tibial anterior.
Esta fase da adolescência é marcada pelo rápido crescimento dos ossos longos, por isso, as regiões responsáveis por esse desenvolvimento, chamadas de epífises, encontram-se sem uma estrutura óssea permanente. Desta forma, considerando que a tuberosidade tibial anterior está muito próxima dessas regiões e que o tendão patelar insere-se na mesma, este fenômeno pode ocasionar um estresse nesta região, provocando fortes dores durante a prática de algum esporte.



 












Tratamento:

A fisioterapia dispõe de diversar técnicas para reabilitar o paciente acometido pela Osgood Schlatte tendo como objetivo promover analgesia, diminuição de proceso inflamatório, fortalecimento e alongamento muscular e manutenção ou ganho de amplitude de movimento.
Para alguns autores, a Osgood Schlatter pode ser uma doença auto limitante, proporcionando um tratamento sintomático, ou seja, as condutas fisioterapêuticas somente estão voltadas para a redução dos sintomas, tais como dor e processo inflamatório, como, por exemplo, técnicas da eletroterapia. Além disso, pode ser prescrito pelo medico o uso de anti-inflamatórios. O prognóstico é bom, restando apenas, em alguns casos, um abaulamento da tuberosidade tibial anterior.
Outros pesquisadores acreditam que o tratamento mais confiável baseia-se na aplicação de gelo, o que mantem a ideia de tratamento conservador, associado a exercícios de alongamento da musculatura do quadríceps e isquiostibiais, ou seja, mantem-se atividades passivas dos grupos musculares envolvidos na articulação do joelho, levando a reabilitação física e ao retorno dos movimentos pelo adolescente. Outros autores ainda acreditam que além do tratamento sintomático, a eventual imobilização gessada do membro acometido é uma ótima solução.




 Criação: Gregório W.
Edição e revisão: Manoela H.






17/04/2012

Diabete Mellitus e Exercício Físico

A Glicose e a Insulina
Para que o corpo realize as atividades diárias (desde respirar até alguma atividade intensa) é necessário que tenhamos energia. A principal fonte de energia de nossas células é a glicose, que é obtida através dos alimentos, principalmente dos que contém carboidratos (amidos e açúcares).
Depois de ingerirmos o alimento, os carboidratos são quebrados em moléculas de glicose que vão para corrente sanguínea. Para fornecer energia, a glicose deve “entrar” nos tecidos (musculares, cerebrais, etc.), e para “entrar” dentro da célula ela necessita de uma “chave que abra a porta”. Essa “chave” é a insulina, hormônio produzido pelo pâncreas, como observamos na figura:



A insulina também exerce a função de regular a quantidade de glicose que permanece no sangue. Sendo assim, com a falta, ou com o mau funcionamento da insulina, a quantidade de glicose no sangue fica desregulada, podendo ocorrer à hiperglicemia (elevada taxa glicose).

Diabetes Mellitus

É uma disfunção metabólica, crônica, degenerativa que leva o sangue a apresentar taxas elevadas de glicose. A Diabetes Mellitus (DM) está afetando a população de forma cada vez mais crescente, tornando-se um sério problema de saúde pública em todo o mundo, de modo que, se não tratada e controlada de forma eficaz, pode acarretar em sérias doenças.
   
Diagnóstico
O diagnóstico é realizado através de exame de sangue e considera-se DM se houver a presença de dois valores de glicemia acima de 126mg/dl (aferidas com um jejum mínimo de 8h). O ideal é que o valor da glicemia seja de até 100 mg/dl.

Classificação
A diabetes é classificada da seguinte forma:
Tipo 1: ou diabetes insulino-dependente acomete de 5% a 10% da população diabética, de qualquer faixa etária, ocorrendo quando o organismo não consegue produzir insulina.
Tipo 2: diabetes não insulino-dependente, presente em 90% a 95% dos indivíduos diabéticos. O paciente apresenta resistência à insulina, ou seja, as células não reconhecem a insulina como “chave”, não autorizando a entrada da glicose na célula. Esse tipo é frequentemente associando ao sobrepeso/obesidade, colesterol elevado, hipertensão arterial, sedentarismo e tem forte predisposição genética.

Sinais e Sintomas
 O diabético apresenta hiperglicemia (valor maior que 100 mg/dl de glicose no sangue em jejum de pelo menos 8h) quadros de poliúria (urinar varias vezes ao dia), sede, glicosúria (glicose na urina), infecções na pele, lentidão no processo de cicatrização, mucosas secas, hálito adocicado, alterações visuais, diminuição da sensibilidade e sensações de adormecimento nas extremidades, sonolência, cansaço físico e mental, dores generalizadas e entre outros.


Complicações
Apesar de precisarmos da glicose para obter energia, o excesso de glicose no sangue danifica os tecidos e atrapalha o bom funcionamento do corpo.
O diabetes, ao longo do tempo, causa lesões graves nos rins (nefropatia- falência renal), nos nervos (perda de sensibilidade, alterações nas terminações nervosas), nos olhos (perda de visão), sistema cardíaco (podendo levar a infartos) e no sistema vascular (alterações vasculares periféricas, que podem levar à amputações, bem como hipertensão).

Tratamento
Para controlar a quantidade de glicose no sangue (glicemia), o diabético deve manter uma alimentação equilibrada, realizar exercícios físicos e fazer tratamento medicamentoso adequado. Para um bom prognóstico, todo o tratamento deve ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar de saúde.

Fisioterapia
A fisioterapia está habilidade para trabalhar tanto com a prevenção do diabetes quanto com a reabilitação do paciente acometido pela doença. Em relação à prevenção, a fisioterapia mostra-se muito eficaz por meio de exercícios cardiorespiratorios que tem como objetivo diminuir os fatores de risco (colesterol elevado, hipertensão arterial sistêmica, sedentarismo, etc.) para desenvolvimento do DM. Na reabilitação do paciente diabético, a fisioterapia utiliza os exercícios cardiorespiratorios também, mas ainda atua no tratamento das alterações e disfunções geradas pela diabetes, buscando-se, sempre, uma melhor qualidade de vida do paciente. Cabe salientar aqui que a prevenção seria a melhor maneira de lidar com a DM, contudo nem sempre isso torna-se possível.

Diabetes mellitus e o exercício físico
Indivíduos ativos apresentam diminuição dos fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes, sendo este risco diminuído em 32% quando o gasto calórico semanal é equivalente a 2.000 kcal. Adicionalmente, a realização de 150 minutos de exercício por semana, associada à dieta, redução ponderal e controle de estresse, reduz em 53% o desenvolvimento de DM tipo 2.

A prática regular de exercícios físicos gera diversos benefícios, tais como:
- Aumento da ação da insulina e da sensibilidade celular à insulina, favorecendo a entrada de glicose nos tecidos, o que diminui a taxa de glicemia (taxa de açúcar no sangue). Posteriormente, pode reduzir a quantidade necessária de medicamentos usados pelos diabéticos. Esta questão deve ser avaliada em conjunto com o medico;
- Aumento da absorção e queima de glicose pelo músculo - durante e pós-exercício – diminuindo a glicemia;
- Aumento da circulação periférica e redução do risco de aterosclerose (placas de gordura nos vasos);         
- Diminuição da pressão arterial, concentração de colesterol e triglicerídeos no sangue – reduzindo o risco de doenças cardiovasculares;        
- Melhora das funções cárdiorespiratórias;
- Redução da perda de massa óssea (osteoporose) e da gordura corporal;    
- Diminuição quadros de ansiedade e depressão.

 

Texto: Katia Rech
Edição e correção Manoela Heinrichs

09/04/2012

Técnicas fisioterapêuticas: Liberação miofascial

Fáscia:

É um tecido conjuntivo (tendinoso-eslástico) resistente que se distribui ao longo do corpo formando uma rede de comunicação entre as estruturas, da cabeça aos pés, sem qualquer interrupção. Suas funções são: sustentação mecânica, deslizamento e contração muscular. Algumas estimativas dizem que se todos os músculos fossem removidos, restando somente as fáscias, o corpo manteria sua forma. A fáscia atende a um objetivo importante que se resume em permitir que o corpo mantenha sua forma natural, permitindo com que os órgãos vitais estejam em uma posição adequada para um bom funcionamento.

As fáscias recobrem músculos, ossos, nervos, órgãos e vasos sanguíneos. Por esta razão, as alterações corporais provocadas por traumas, alterações posturais ou inflamações podem encurtar a fáscia provocando pressões anormais em todos os componentes acima citados.


Liberação miofascial:

O que é:

É uma abordagem manual aplicada na superfície corporal para tratamento do sistema facial. A liberação miofascial devolve a flexibilidade e elasticidade da fáscia, tendo, portanto, grande capacidade de alterar a amplitude de movimento corporal e dissolver as restrições dos tecidos fasciais. O sedentarismo e as posições que geram dor podem gradativamente gerar restrições e encurtamentos fasciais e musculares. Sendo assim, a fisioterapia, por meio do uso da técnica tem por objetivo eliminar a restrição existente no tecido fascial, diminuindo assim a dor e permitindo uma amplitude de movimento funcional.


Criação: Gregório W.
Revisão: Leonardo Leal e Manoela Heinrichs

28/03/2012

Doença de Parkinson

Doença Parkinson

A Doença de Parkinson (DP) é uma doença degenerativa e progressiva do sistema nervoso central que provoca desordem nos movimentos do corpo em decorrência da degeneração de neurônios dopaminérgicos (que produzem o neurotransmissor dopamina). A dopamina é que controla e ajusta a transmissão (sinapse) dos comandos cerebrais para os músculos do corpo, sendo assim, a diminuição da secreção de dopamina leva à disfunção na troca de informações entre um neurônio e outro, ocasionado (principalmente) alterações dos movimentos.


Epidemiologia
A Doença de Parkinson afeta mais de 2% da população mundial com mais de 65 anos, não havendo distinção entre homens e mulheres. Entretanto, a idade média de surgimento dos sintomas ocorre entre os 50 e os 60 anos. Ressalta-se que apenas uma pequena porcentagem dos casos (de 4% a 10%) tem seu desenvolvimento precoce, ou seja, sintomas iniciais antes dos 40 anos.

Sinais e Sintomas
A doença é caracterizada por distúrbios motores e disfunções posturais. Os quatro principais sinais dessa patologia são: (i) bradicinesia (dificuldade e lentidão na realização do movimento), (ii) rigidez global (“corpo duro”, “pesado”), (iii) tremores e (iv) diminuição do equilíbrio. Além disso, pode causar diminuição da força muscular, alteração na marcha, alterações cognitivas, déficits de memória, distúrbios na fala, dificuldade de realizar movimentos sequenciais ou repetitivos, alteração sensorial (diminuição da sensibilidade) e disfunções nos sistemas gastrintestinais e cardiopulmonares.
Na maioria dos casos, o tremor é considerado o sintoma inicial, sendo importante referir que esse tremor se manifesta mesmo com a pessoa em repouso (parada). O caminhar é afetado, que é caracterizado pelo aumento progressivo da velocidade e redução do tamanho do passo, isso porque o individuo está sempre tentando alcançar seu centro de massa (ponto de equilíbrio) que ficou alterado devido a sua postura anormal (inclinada para frente).
Todos esses comprometimentos (físicos, mentais e emocionais) levam a grande dependência para realizações das atividades da vida diária, o que pode interferir negativamente na qualidade de vida.


Diagnóstico:
Em sua fase inicial, é de difícil diagnóstico. Como não há um teste definitivo, buscam-se informações com base na história do paciente e na avaliação clínica (observação dos sinais e sintomas). Conclui-se pela presença da patologia se o paciente apresenta ao menos dois dos quatro sinais listados acima.

Tratamento:
Não há cura para o Parkinson, mas o tratamento clínico, principalmente ministrando-se medicamentos, é direcionado para diminuir a progressão da doença, neutralizando os sintomas (complicações motoras e não motoras).
O tratamento medicamentos é associado ao tratamento nutricional (com uma dieta que favoreça a absorção dos medicamentos) e ao tratamento fisioterapêutico.
Na fisioterapia, as intervenções são dirigidas à melhora das funções motoras, do desempenho funcional (realização das atividades diárias). Utilizando exercícios de reforço muscular, alongamentos, técnicas de relaxamento, treinos de marcha, treino de equilíbrio e coordenação e treinamento cardiopulmonar.


O tratamento fisioterapêutico tem os seguintes objetivos:
- Melhora da mobilidade;
- Aumento da força muscular e flexibilidade;
- Estimulo do controle postural;
- Manutenção do equilíbrio;
- Melhoria na locomoção e aptidão física;
- Promoção de maior independência;
- Aumento da qualidade de vida.



Texto: Kátia Rech
Revisão: Manoela Heinrichs

20/03/2012

Lesão de menisco

Conceito: Meniscos são estruturas semilunares de fibrocartilagens ricas em colágeno localizadas na articulação do joelho. Existem dois meniscos em cada joelho: o menisco medial e o lateral.

Função: Estabilização do joelho, transmissão de força, proteção das superfícies ósseas articulares, distribuição do peso corporal e melhora da lubrificação articular.

Mecanismo de lesão: Realizar o movimento de rotação do joelho com a perna estendida ou flexionada associado ao apoio do peso. Normalmente está associada com rupturas de ligamentos do joelho. O menisco medial está relacionado à maioria das lesões de menisco, pois esse possui maior fixação em outras estruturas como ligamentos sendo menos móvel que o menisco lateral. Sendo assim, o menisco medial é mais propenso a rupturas a partir de forças de torção. Os meniscos podem ser danificados quando o pé está fixo no solo e o fêmur é rodado internamente, como por exemplo girar sobre o pé, sair ou entrar em um carro, receber um golpe na lateral da perna ao praticar um esporte de contato.



Sintomas: Pode resultar em dor imediata no lado lateral ou medial do joelho. O paciente pode relatar a sensação de “falseio”. A inervação é responsável pelos sintomas de dor, porém o menisco não tem inervação, sendo a dor é proveniente de outras estruturas lesadas.

Tratamentos:
- Conservador: Esse tratamento é realizado quando o paciente apresenta uma lesão parcial do menisco. O tratamento conservador baseia-se em técnicas que reposicione o menisco lesado, desbloqueando a articulação do joelho, permitindo com que o paciente volte a realizar os movimentos do joelho. A fisioterapia é muito importante para diminuição do processo inflamatório por meio das técnicas de eletroterapia. Em seguida, após a diminuição do processo inflamatório, as condutas fisioterapêuticas, são baseadas em exercícios de fortalecimento dos músculos de forma isolada, alongamentos, treino de coordenação e equilíbrio e preparo para o retorno do paciente as atividades funcionais.






- Cirúrgico: Quando ocorre a laceração ou ruptura significante do menisco medial ou lateral, ou quando o tratamento conservador de uma ruptura parcial não teve sucesso, em geral é necessária à intervenção cirúrgica. As opções cirúrgicas preferenciais são as menistectomias parciais (retirada parcial do menisco) e as cirurgias de reparo. A retirada de 15 a 34% do menisco aumenta em 350% a pressão no joelho.
As meniscectomias totais são realizadas em casos estremos, onde o local da lesão é pouco vascularizada, dificultando a redução do processo inflamatório e a cicatrização dos corpos meniscais. Esta técnica cirúrgica dificulta a reabilitação do individuo e, consequentemente, o retorno às atividades. Após a cirurgia a fisioterapia também se mostra muito eficiente.

12/03/2012

Condromalácia Patelar

Estrutura
O joelho é formado por três ossos: o fêmur, a tíbia e a patela. Engloba, ainda, três articulações, sendo duas femoro-tibial (entre dos côndilos femorais – medial e lateral - e a superfície da tíbia) e uma patelo-femoral (entre face anterior dos côndilos femorais e a face posterior da patela).

Patologia

A condromalácia patelar (também conhecida como “joelho de corredor”) é uma patologia crônica degenerativa da cartilagem da articulação patelo-femoral, ou seja, é uma patologia que resulta no amolecimento e na degradação da cartilagem da superfície posterior da patela e dos côndilos.



Geralmente atinge jovens adultos, especialmente mulheres e atletas que realizam grande esforço com as pernas (corredores, jogadores de futebol, ciclistas e tenistas). Pode se manifestar em apenas um dos membros inferiores ou em ambos.
Devemos ressaltar, evitando-se confusões entre as patologias, que a condromalácia patelar trata-se da danificação da estrutura cartilaginosa patelo-femoral, ao passo que a síndrome da dor patelo-femoral (SDPF) refere-se ao estágio inicial dessa condição, quando os sintomas ainda podem ser completamente revertidos, sendo um termo genericamente usado nas dores referidas no joelho.

Causa
A condromalácia tem origem multifatorial, estando associada a fatores intrínsecos e extrínsecos. Vejamos:
Intrínsecos: são as variações da estrutura óssea, tanto na patela como no fêmur, e as disfunções musculares (atrofia ou fraqueza do músculo vasto medial - anterior da coxa - e com o encurtamento dos músculos ísquios tibiais - parte posterior da coxa). Esses fatores também acarretam em alterações no alinhamento patelo-femoral, como patela alta, aumento do ângulo Q (lateralização patelar) - o que justifica a maior ocorrência em mulheres, já que elas apresentam mais esse aumento do que os homens pelo quadril mais alargado -, esse desalinhamento patelar ocasiona atrito entre a superfície da patela e do fêmur, desse modo provocando um desgaste da cartilagem.
Extrínsecos: traumas em geral, excesso (grande número repetições) em atividade física e sobrecarga nos esportes de impacto.
Sinais e Sintomas
Dor na parte anterior do joelho (atrás e entorno da patela), edema, sensação rangedora e presença de crepitação e estalos. O quadro álgico (doloroso) ocorre principalmente quando o joelho flexionado, como ao subir e descer escadas, levantar-se de uma cadeira, ao se agachar, correr, bem como outras atividades similares, podendo levar a restrições na realização de atividades físicas e nos esportes.
Diagnóstico e classificação

O diagnóstico da condromalácia é feito por meio do histórico do paciente e pelo exame clínico. O teste específico mais utilizado é o de compressão patelar (sinal de Zohler). Para uma análise mais detalhada pode-se usar os exames de imagem, tais como: radiografia, tomografia e ressonância magnética.
Através dos exames complementares é possível classificar as lesões identificadas, divididas em graus. São eles:
Grau 1: amolecimento da cartilagem ou bolha da superfície articular cartilaginosa;
Grau 2: apresenta uma fissura superficial da cartilagem;
Grau 3: representa uma fissura mais profunda, que atinge o osso subcondral;
Grau 4: representa erosão e exposição do osso subcondral.
A importância de uma boa investigação está na indicação do tratamento a ser realizado.


Tratamento
O tratamento fisioterapêutico objetiva, principalmente, o alinhamento da patela. Havendo dor, devem ser ministrados métodos analgésicos e anti-inflamatórios (eletro e termoterapia, mobilizações articulares, descolamento miofascial). Com o alivio do quadro doloroso, o fisioterapeuta passa a utilizar exercícios para reforço e alongamento muscular, dando ênfase ao fortalecimento do músculo vasto medial, sempre com exercícios de baixo impacto. Durante esse tratamento, o paciente pode fazer uso de medicamentos (com devida prescrição médica) e órteses patelares.
Recomenda-se, durante o tratamento, repouso relativo, principalmente para evitar atividades que possam agravar a lesão, como esportes de impacto.
Em casos graves, pode ser necessário tratamento cirúrgico.



Orientações
• Evitar manter, por tempo demasiado, os joelhos flexionados em mais de 90 graus.
• Manter boa postura, evitando cruzar as pernas por longos períodos.
• Evitar subir e descer escadas.
• É importante avaliar o limite de extensão e flexão do joelho durante os exercícios, para não sobrecarrega-los e, assim, agravar a lesão.
• Reforçar os músculos fracos fazendo exercícios de baixo impacto (busque orientação profissional).
• Evitar exercícios e esportes de alto impacto (como o futebol, vôlei, basquete, corrida, ciclismo) e hiperflexão do joelho.
• Aplicar gelo no joelho após os exercícios.

Texto: Kátia Rech
Revisão e Edição: Leonardo Fratti Neves

08/03/2012

Método Pilates: benefícios respiratórios

Introdução ao Método Pilates:

Joseph Pilates nasceu em 1880 na Alemanha e sempre apresentou problemas com sua fragilidade corporal. Determinado a melhorar sua condição física trabalhou incansavelmente com seu condicionamento muscular ao ponto de servir como modelo para desenhos anatômicos, aos 14 anos. Seguindo os passos de seu pai, foi um respeitado esportista, praticando e aprimorando-se em várias modalidades as quais relacionava todo o enfoque oriental de respiração com o seu futuro método. Sua forma de expirar tinha como objetivo reproduzir maior estabilidade da parte central do corpo, proporcionando movimentos mais livres e seguros dos apêndices corporais (membros inferiores e superiores.


Curiosidades em relação ao surgimento do método:

No inicio da primeira guerra mundial, as autoridades britânicas o confinaram nos campos de Lancaster, devido sua nacionalidade Alemã. Com isso, Joseph Pilates decidiu desenvolver ideias sobre saúde e condicionamento físico e as repassou para seus colegas de confinamento. Trabalhando como enfermeiro, experimentou utilizar as molas ligadas as camas hospitalares, de modo que os pacientes pudessem tonificar a musculatura antes mesmo de levantarem.
No período pós-guerra, Pilates volta à Alemanha e faz seu primeiro contato com o mundo da dança, conhecendo mentores que passaram a difundir algumas de suas técnicas de conscientização corporal. Em 1926 parte para Nova York e durante sua viajem conhece Clara, sua futura esposa. Ambos falavam e discutiam a respeito das necessidades do ser humano de manter um corpo saudável. Após isso, decidiram abrir um estúdio em NY que tinha por finalidade ensinar os conhecimentos e técnicas do seu programa de condicionamento físico.
O método tornou-se um sucesso, difundindo-se entre os dançarinos. Profissionais da dança renomados recomendavam a técnica para seus próprios alunos. Os mesmos, sempre propensos à lesão, descobriram que estes exercícios levavam a uma recuperação mais acelerada, levando em conta que os efeitos terapêuticos da reabilitação ainda não eram conhecidos nesta época.

Respiração:

A função muscular respiratória é essencial para a vida. Entretanto, ao contrário dos demais músculos esqueléticos, os músculos envolvidos na respiração realizam contrações sucessivas, aproximadamente 12 a 20 contrações por minuto, e estes, em condições fisiopatológicas podem desencadear alterações na função pulmonar. Para a função do musculo se manter integra, tem sido preconizada a prática regular de exercícios físicos, pois, assim como os demais músculos esqueléticos, os músculos respiratórios também respondem de forma positiva durante o treinamento físico. Dentre as diversas maneiras de estabelecer este condicionamento físico, encontra-se o Pilates que usa como principal resistência o auxilio de molas e o peso corporal, associado à gravidade, juntamente com movimentos respiratórios elaborados. A obstinação de Joseph pela forma adequada de respirar fez com que este ato se torna-se um dos diferencias da técnica. Segundo ele, o ato de respirar corretamente durante o exercício “filtra” o sangue, proporcionando um melhor funcionamento dos órgãos. Baseado nesse conceito foi desenvolvida uma mecânica respiratória eficiente, proveniente da Ioga mesclado com a maneira de respirar dos lutadores de artes marciais e a característica respiração dos bailarinos.


*Como procede à respiração:

Durante a inspiração, o diafragma se contrai, empurrando os órgãos inferiormente, fazendo com que os pulmões se encham devido a diferenças de pressão. Neste momento acontecem trocas gasosas a nível alveolar, ou seja, o sangue é oxigenado. Em um segundo momento ocorrerá o movimento desejado associado de uma expiração e contração da musculatura do transverso do abdome, estabilizando o quadril durante o movimento. O ato de “filtrar” o sangue, como mencionado acima, significa oxigená-lo, proporcionando um aporte de oxigênio adequado para a formação de energia, que será usada pelos tecidos musculares.
Devido este mecanismo, o método Pilates é considerado uma excelente técnica para aperfeiçoar o funcionamento da musculatura respiratória, assim como oxigenar adequadamente os tecidos alvos.


Criação do texto: Gregório Weinmann
Revisão: Manoela Heinrichs

15/02/2012

Miastenia Grave

A miastenia grave é causada por anticorpos que atacam e gradualmente destroem os receptores das fibras musculares que recebem os estímulos nervosos. Como resultado, as fibras musculares não são estimuladas ao receberem o estimulo elétrico, respondendo na maioria das vezes com uma contração muito fraca. Este distúrbio autoimune causa fraqueza muscular crônica e torna-se mais visível nos músculos da face, garganta e olhos, o que pode levar a problemas de fala e visão.


Sinais e sintomas:
Os sintomas precoces incluem pálpebras caídas, quando há fraqueza dos músculos faciais. Os músculos envolvidos na mastigação também são afetados, dificultando a deglutição dos alimentos. Pode haver fraqueza muscular da musculatura ventilatória. Um sinal comun é que o paciente não consegue sustentar a cabeça contra a resistência do fisioterapeuta.


Tratamento:
Uma das maneiras de amenizar os sintomas da doença é realizando a retirada do timo (timectomia), pois este órgão é responsável pela produção dos anti-corpos que atacam os receptores pós-sinápticos (junção neuromuscular).




A Miastenia Grave é caracterizada como uma doença neuromuscular, portanto a prescrição de exercícios terapêuticos incluem a manutenção de força muscular e prevenção de atrofia. Além disso, o aumento da massa muscular faz com que aumente a vascularização dos tecidos, facilitando a sua oxigenação. O treinamento da musculatura ventilatória também parece contribuir para a diminuição da dispnéia (sensação de falta de ar) e na melhora de desempenho físico desses pacientes, embora não haja consenso sobre o melhor protocolo de tratamento.

Texto: Gregório N. Weinnmann
Revisão e edição: Leonardo Fratti Neves

30/01/2012

Capsulite Adesiva (Ombro congelado)

A capsula articular é uma membrana de tecido conjuntivo que reveste articulações e juntamente com os ligamentos tem a função de manter os ossos de uma articulação unidos, evitar movimentos indesejáveis da articulação e limitar a amplitude de movimento normal desta. Ela possui certa elasticidade e também é responsável pela produção do líquido sinovial, que lubrifica a articulação internamente.
Na capsulite adesiva, que é também conhecida como ombro congelado, há um processo inflamatório na cápsula do ombro que gera um espessamento e a uma retração dessa estrutura ocasionando dor e limitação de movimentos.
Ainda há controvérsias sobre os fatores causadores dessa doença, mas há uma associação dela ao diabete mellitus, e também ao desuso prolongado da articulação (imobilização), tendinites, cervicalgia e traumas.
Ela possui curso prolongado, afetando de maneira significativa as atividades da vida diária do paciente. Pode ser causa de dor noturna que leva a distúrbio do sono, podendo ocasionar quadros de depressão.
Os sintomas são a dor no ombro e a limitação dos movimento ativo e passivo de abdução, rotação lateral e medial, e seu diagnóstico é clínico, baseado nesses sintomas e na exclusão de outras doenças, já que nos exames de imagem alterações são pouco visíveis.
A fisioterapia atua afim de diminuir a dor inicialmente através de crioterapia e outros recursos eletrotérmicos. Após a analgesia inicial a cinesioterapia convencional e terapia manual são enfatizadas afim de recuperar a elasticidade da cápsula restabelecendo assim a amplitude de movimento da articulação. Como a doença tem um curso prolongado os pacientes acabam perdendo força muscular e tendo encurtamentos musculares pelo desuso da musculatura. Devido a isso alongamentos da musculatura do complexo do ombro e reforço muscular principalmente de músculos como deltóide e os do manguito rotador acabam se tornando obrigatórios para uma boa reabilitação.

Texto: Jarbas Grasel
Revisão e Edição: Manoela Heinrichs