27 de set de 2012

Distúrbios nervosos:

O sistema nervoso é dividido em central e periférico, basicamente. Central corresponde ao córtex (cérebro) e medula espinhal. O periférico corresponde aos nervos e gânglios, originando-se na coluna vertebral, resultado de ramificações da própria medula espinhal. Os nervos são responsáveis por transmitir os estímulos elétricos para a periferia do nosso corpo. Esses estímulos dão origem ao movimento, liberando uma descarga elétrica no tecido muscular, estimulando e recrutando fibras musculares a iniciarem a contração. Também são responsáveis por transmitir estímulos da periferia para o centro (cérebro), através do sistema sensorial presente no tecido tegumentar (pele). Baseando-se na sua proximidade em relação às estruturas do tronco (coluna) e membros (inferiores e superiores), os nervos podem ser lesados ou tensionados em determinadas situações, como por exemplo: condições musculoesqueléticas, postura e microtraumas que resultam em sintomas, comprometimentos e limitações. A estrutura do sistema neuromuscular consiste nos neurônios motores e os músculos por eles inervados; e os neurônios sensitivos, que captam estímulos do meio externo, localizados em tecidos conjuntivos, articulações e vasos sanguíneos.
O sistema nervoso tem por característica ser móvel e deformar-se, sendo capaz de conduzir estímulos. Se qualquer parte do sistema for colocada em tensão, estes estímulos podem se dissipar ao longo de toda sua extensão. Os locais de lesão dos nervos periféricos podem ocorrer em qualquer parte do seu trajeto, desde suas raízes nervosas (próximas a coluna) até seu destino, nos tecidos do tronco e membros. Os sinais e sintomas do comprometimento nervoso são: fraqueza motora e alterações sensoriais significativas manifestadas na pele.  

Raízes nervosas: Estão situadas próximo a coluna, originando-se no canal vertebral, atravessando os forames da coluna vertebral, rumo a periferia. Baseado nisso, estas raízes podem ser pinçadas devido a patologias da coluna vertebral responsáveis por reduzir o espaço intervertebral, como por exemplo, as doenças degenerativas dos discos intervertebrais, gerando inflamação do nervo. O sistema nervoso possui uma mobilidade significativa para adequar-se aos movimentos do corpo, e mesmo assim, existem regiões onde ficam suscetíveis a maior pressão ou tensão. Se a compressão de algum nervo estiver impedindo sua mobilidade, ocorrerão os chamados sinais de tensão quando o nervo for tensionado, são eles: dor e parestesia (formigamento).

Síndrome do túnel do carpo (STC) Esta síndrome é um exemplo de distúrbio nervoso periférico. O túnel do carpo é um espaço envolto pelos ossos do carpo (punho) e tecido conjuntivo, por onde passam os tendões dos músculos responsáveis pelo movimento do punho e nervos responsáveis por inervar os músculos da mão. A STC é caracterizada pela perda de força dos músculos da mão e formigamento da mesma, devido ao comprometimento do nervo mediano na região do carpo. Isto se deve a vários fatores, um deles pode estar relacionado à inflamação dos tendões que aumentam de tamanho devido ao processo inflamatório, comprimindo todas as estruturas que passam por este mínimo espaço.  

Diretrizes de tratamento: A recuperação do nervo lesado é influenciada por fases distintas e o tratamento fisioterapêutico é baseado nisto. Basicamente, as condutas são: exercícios que visem o ganho de amplitude de movimento (ADM) para evitar aderências articulares ou contraturas musculares, reeducação motora, com técnicas que estimulem a contração voluntária dos músculos, como por exemplo: exercícios ativo-assistidos, onde o paciente é instruído a realizar os movimentos característicos do membro até sua amplitude máxima.
Outras condutas muito importante que são utilizadas são a dessensibilização do nervo, baseando-se em técnicas que reajustem a sensibilidade do nervo, objetivando diminuir a hipersensibilidade durante a fase de regeneração. Utilizar múltiplos tipos de texturas (algodão, material áspero, lixas) nas terminações específicas de cada nervo, é uma alternativa de tratamento para esta fase. Por ultimo ocorre o treinamento do cérebro para identificação dos estímulos.
Uma alternativa de tratamento para esta fase é passar alguma textura sobre a superfície onde há manifestação do distúrbio nervoso, utilizando a visão para relacionar o toque ao objeto que está sendo utilizado. Com isso, o cérebro irá fazer referencia ao estímulo que está sendo dado.


 Criação; Gregório W
Edição: Manoela Heinrichs e Leonardo Leal

18 de set de 2012

PILATES PARA CRIANCAS E ADOLESCENTES

Assim como para os adultos, o pilates também é altamente recomendado para crianças e adolescentes. O que para os adultos é uma atividade física para os jovens pode acabar como uma diversão também. O pilates ajuda muito no desenvolvimento do adolescente e da criança e ao invés de uma reeducação postural como proposta aos adultos, traz para eles uma educação postural, pois é neste período de idade que eles têm mais facilidade de aprendizado. Aprender o certo é muito importante para que não se habitue aos vícios de má postura, muitas vezes trazendo problemas mais tarde. Muitas alterações posturais, em especial as relacionadas com a coluna vertebral, têm sua origem no período de crescimento e desenvolvimento corporais, ou seja, na infância e na adolescência. Também há um alto número de adolescentes e crianças com disfunções pelo crescimento acelerado, como encurtamentos, dor do crescimento e escolioses. Assim como é para os adultos, o pilates realizado por eles gera um incremento do alongamento e na mobilidade corporal, melhora da postura corporal, diminuição e prevenção de dores, e principalmente estimula a consciência corporal. Os exercícios enfocam mobilidade, alongamento, propriocepção e exercícios para manutenção da postura.
A concentração e o equilíbrio são trabalhados em todos os exercícios, onde o jovem pode desenvolver uma postura melhor, e aprende como realizar atividades do dia-a-dia de uma maneira correta. Como benefício adicional, o adolescente aperfeiçoa sua coordenação motora, e consegue melhorar sua concentração e a consciência corporal, que são afetadas nesta fase de turbilhão de hormônios. Um aspecto também notado é a melhora na auto-estima, pois as práticas possibilitam que o jovem sinta um domínio maior sobre seu corpo, vivencie melhoras físicas e, psicologicamente, permite maior afirmação perante o meio social. As transformações da visão corporal podem revolucionar positivamente a fase que está vivendo, incorporando confiança à sua rotina. A união de perda calórica, melhora do condicionamento físico e melhora da postura sugere o pilates como uma atividade física, só que sem impacto e sem risco de lesão, e muitos benefícios.
Texto: Betânia K Revisão Edição e revisão: Leonardo Leal; Manoela Heinrichs do Reis
Fonte: Associação Brasileira de Pilates
 NETO, L. B. et al. A importância da estabilização central no método Pilates. Fisioterapia e movimento. Vol.25 no.2. Curitiba, Abr./Jun. 2012.
 OLTRAMARI, J. D., et al. Efeito de um programa de treinamento utilizando o método Pilates® na flexibilidade de atletas juvenis de futsal. Revista brasileira de Medicina no esporte. Vol. 13, Nº 4 – Jul/Ago, 2007.

14 de set de 2012

Higiene das vias aéreas

A respiração é o processo de trocas gasosas no corpo humano, incluindo a captação de oxigênio e sua distribuição. Durante a respiração ocorrem cinco processos básicos, são eles: ventilação, distribuição, difusão, perfusão e circulação. Ventilação é a simples passagem do ar para dentro e para fora dos pulmões; Distribuição é o deslocamento do ar pelos pulmões até os alvéolos; difusão é a passagem dos gases dos alvéolos para a corrente sanguínea; perfusão é o volume de sangue bombeado que atinge os pulmões com um determinado índice pressórico, a posição corporal está diretamente relacionada com o grau de perfusão, pois quando estamos em pé, aumentamos o fluxo sanguíneo na base pulmonar, região caracterizada por manter uma grande atividade de trocas gasosas; o ultimo processo é a circulação, responsável pelo transporte do sangue oxigenado para os tecidos. Secreções retidas podem provocar desequilíbrio entre ventilação e perfusão, alterando a biomecânica pulmonar.
Deficiências em relação à ventilação são classificadas em primárias e secundárias. As causas primárias são: fibrose cística e doenças pulmonares obstrutivas crônicas, onde o comprometimento básico é causado pela ineficiente limpeza das vias aéreas. As causas secundárias não estão relacionadas a higienização. No processo primário o acumulo excessivo de muco nas vias respiratórias é a causa da obstrução destas estruturas, comprometendo a ventilação pulmonar. O cigarro pode acarretar piora dos sintomas, visto que diminui o movimento ciliar das vias aéreas, que são responsáveis pela sua limpeza. Fibrose cística: caracterizada como uma doença hereditária, que envolve as células epiteliais das glândulas exócrinas (glândulas que produzem secreções). Os órgãos afetados incluem seios, face, pulmões, pâncreas, intestino, trato biliar, colo uterino e glândulas sudoríparas. A fisiopatologia diz respeito ao acumulo de sódio e cloreto nas células, fazendo com que a água seja atraída para este meio. Basicamente a doença manifesta-se através de secreções mais secas e espessas, prejudicando o sistema muco ciliar nos pulmões, responsável pelo mecanismo de limpeza do mesmo, proporcionando o acúmulo e proliferação de bactérias, obstruindo a passagem do ar tanto na inspiração quanto na expiração.
Doença pulmonar obstrutiva crônica: As DPOCs são em geral classificadas como obstrutivas e restritivas. Em relação à higienização pulmonar, levamos em consideração os aspectos obstrutivos, pois se referem a doenças como, por exemplo: bronquites crônicas e enfisemas pulmonares. Estas doenças caracterizam-se por obstruir a passagem do ar para os pulmões ou até mesmo seu esvaziamento, por acúmulo de secreção nos brônquios por inflamação. A falta de ar presente nesses pacientes limita a tolerância ao exercício O tratamento consiste na higienização pulmonar, através de técnicas específicas para desobstruir estas vias aéreas inferiores (bronquíolos e alvéolos). Técnicas combinadas como percussão e vibração associadas à drenagem postural, além de técnicas de expiração lenta e a tosse são utilizadas pelo fisioterapeuta. Se necessário, o fisioterapeuta pode utilizar o estímulo de tosse, que induz o paciente a tossir e eliminar a secreção no momento adequado ou a aspiração da secreção através de sonda. Essas medidas servem para que o paciente tenha uma troca gasosa mais eficiente nos pulmões, o que permite mais conforto respiratório e melhor qualidade de vida. Texto: Gregório Nunes Weinmann Edição e correção: Leonardo Fratti Neves

6 de set de 2012

Pilates solo x Pilates com aparelhos

O Método Pilates tem como princípios a respiração, concentração, controle, precisão dos movimentos, fluidez e centralização e independente de qual modalidade você estiver praticando esses princípios devem sempre ser seguidos. Com a popularização do Pilates, existem muitos adeptos desse método e muitas vezes os praticantes não sabem as diferenças e semelhanças entre o Pilates solo e o Pilates com aparelhos. Embora possuam características diferentes, os benefícios alcançados podem ser os mesmos.
No Mat Pilates, ou Pilates no solo, em alguns movimentos, você depende da força de seu próprio corpo para realizar os exercícios, e, por isso, alguns exercícios são considerados mais difíceis do que os que utilizam aparelhos. Em ambas as modalidades, o enfoque da sessão é no alongamento e fortalecimento simultaneamente, trabalhando também equilíbrio, proporcionando uma atividade completa.
É comum que o instrutor faça uso de acessórios como bolas, magic circle e elásticos flexíveis para adicionar novidades à sessão ou promover mais desafios aos praticantes e até mesmo ajudá-los em alguns exercícios. O Pilates solo também é indicado para adquirir e manter a boa postura e o alinhamento articular, levando o praticante a uma maior consciência corporal e cuidado com o próprio corpo, sendo assim, utilizado também para o tratamento de lesões na coluna, joelhos, ombros, artroses e dores em geral. No Pilates solo as sessões podem ser feitas em grupo, o que também promove mais sociabilização entre as pessoas.
Os aparelhos do Pilates foram criados especialmente para os exercícios da técnica, que é a mesma do solo, porém com a utilização dos aparelhos é permitido uma grande variação de exercícios. Assim como a introdução de acessórios na sessão de Pilates solo promove uma variedade nos exercícios, no Pilates com aparelhos temos o mesmo beneficio, pois o aparelho também permite variações dos movimentos. Nos aparelhos, as molas existentes, geram um aumento na carga durante a execução dos movimentos e ainda podem auxiliar os movimentos. No solo para promover aumento da carga podemos fazer uso de halteres, caneleiras, bolas e bosu e para auxilio podemos utilizar faixas elásticas, rolos e magic circle.
O Pilates com aparelhos, também auxilia no tratamento de dores, na postura e alinhamento corporal. As duas modalidades não tem contra indicações, pois as sessões são especificas e individualizas e as variações de exercícios são imensas. Cabe salientar aqui a importância de seu instrutor de Pilates ser um fisioterapeuta, pois esse é o profissional mais capacitado em relação à reabilitação em geral. As duas técnicas trazem benefícios imensos, mas o objetivo principal é promover força e flexibilidade muscular. Porém, estudos apontam que os exercícios também ajudam a perder peso e ainda podem auxiliar no sistema cardiorrespiratório. Já existem estudos que mostram o efeito do Mat Pilates na redução do percentual de gordura, da diminuição da obesidade e da melhora na capacidade funcional. De fato, o melhor é experimentar a técnica que mais combina com você, e desfrutar dos benefícios! A Vie Clínica de Fisioterapia oferece essas duas modalidades de sessão, tanto o Pilates solo como o Pilates com aparelhos. Criação: Betânia K Revisão e Edição: Manoela Heinrichs e Leonardo Leal