28 de mar de 2012

Doença de Parkinson

Doença Parkinson

A Doença de Parkinson (DP) é uma doença degenerativa e progressiva do sistema nervoso central que provoca desordem nos movimentos do corpo em decorrência da degeneração de neurônios dopaminérgicos (que produzem o neurotransmissor dopamina). A dopamina é que controla e ajusta a transmissão (sinapse) dos comandos cerebrais para os músculos do corpo, sendo assim, a diminuição da secreção de dopamina leva à disfunção na troca de informações entre um neurônio e outro, ocasionado (principalmente) alterações dos movimentos.


Epidemiologia
A Doença de Parkinson afeta mais de 2% da população mundial com mais de 65 anos, não havendo distinção entre homens e mulheres. Entretanto, a idade média de surgimento dos sintomas ocorre entre os 50 e os 60 anos. Ressalta-se que apenas uma pequena porcentagem dos casos (de 4% a 10%) tem seu desenvolvimento precoce, ou seja, sintomas iniciais antes dos 40 anos.

Sinais e Sintomas
A doença é caracterizada por distúrbios motores e disfunções posturais. Os quatro principais sinais dessa patologia são: (i) bradicinesia (dificuldade e lentidão na realização do movimento), (ii) rigidez global (“corpo duro”, “pesado”), (iii) tremores e (iv) diminuição do equilíbrio. Além disso, pode causar diminuição da força muscular, alteração na marcha, alterações cognitivas, déficits de memória, distúrbios na fala, dificuldade de realizar movimentos sequenciais ou repetitivos, alteração sensorial (diminuição da sensibilidade) e disfunções nos sistemas gastrintestinais e cardiopulmonares.
Na maioria dos casos, o tremor é considerado o sintoma inicial, sendo importante referir que esse tremor se manifesta mesmo com a pessoa em repouso (parada). O caminhar é afetado, que é caracterizado pelo aumento progressivo da velocidade e redução do tamanho do passo, isso porque o individuo está sempre tentando alcançar seu centro de massa (ponto de equilíbrio) que ficou alterado devido a sua postura anormal (inclinada para frente).
Todos esses comprometimentos (físicos, mentais e emocionais) levam a grande dependência para realizações das atividades da vida diária, o que pode interferir negativamente na qualidade de vida.


Diagnóstico:
Em sua fase inicial, é de difícil diagnóstico. Como não há um teste definitivo, buscam-se informações com base na história do paciente e na avaliação clínica (observação dos sinais e sintomas). Conclui-se pela presença da patologia se o paciente apresenta ao menos dois dos quatro sinais listados acima.

Tratamento:
Não há cura para o Parkinson, mas o tratamento clínico, principalmente ministrando-se medicamentos, é direcionado para diminuir a progressão da doença, neutralizando os sintomas (complicações motoras e não motoras).
O tratamento medicamentos é associado ao tratamento nutricional (com uma dieta que favoreça a absorção dos medicamentos) e ao tratamento fisioterapêutico.
Na fisioterapia, as intervenções são dirigidas à melhora das funções motoras, do desempenho funcional (realização das atividades diárias). Utilizando exercícios de reforço muscular, alongamentos, técnicas de relaxamento, treinos de marcha, treino de equilíbrio e coordenação e treinamento cardiopulmonar.


O tratamento fisioterapêutico tem os seguintes objetivos:
- Melhora da mobilidade;
- Aumento da força muscular e flexibilidade;
- Estimulo do controle postural;
- Manutenção do equilíbrio;
- Melhoria na locomoção e aptidão física;
- Promoção de maior independência;
- Aumento da qualidade de vida.



Texto: Kátia Rech
Revisão: Manoela Heinrichs

20 de mar de 2012

Lesão de menisco

Conceito: Meniscos são estruturas semilunares de fibrocartilagens ricas em colágeno localizadas na articulação do joelho. Existem dois meniscos em cada joelho: o menisco medial e o lateral.

Função: Estabilização do joelho, transmissão de força, proteção das superfícies ósseas articulares, distribuição do peso corporal e melhora da lubrificação articular.

Mecanismo de lesão: Realizar o movimento de rotação do joelho com a perna estendida ou flexionada associado ao apoio do peso. Normalmente está associada com rupturas de ligamentos do joelho. O menisco medial está relacionado à maioria das lesões de menisco, pois esse possui maior fixação em outras estruturas como ligamentos sendo menos móvel que o menisco lateral. Sendo assim, o menisco medial é mais propenso a rupturas a partir de forças de torção. Os meniscos podem ser danificados quando o pé está fixo no solo e o fêmur é rodado internamente, como por exemplo girar sobre o pé, sair ou entrar em um carro, receber um golpe na lateral da perna ao praticar um esporte de contato.



Sintomas: Pode resultar em dor imediata no lado lateral ou medial do joelho. O paciente pode relatar a sensação de “falseio”. A inervação é responsável pelos sintomas de dor, porém o menisco não tem inervação, sendo a dor é proveniente de outras estruturas lesadas.

Tratamentos:
- Conservador: Esse tratamento é realizado quando o paciente apresenta uma lesão parcial do menisco. O tratamento conservador baseia-se em técnicas que reposicione o menisco lesado, desbloqueando a articulação do joelho, permitindo com que o paciente volte a realizar os movimentos do joelho. A fisioterapia é muito importante para diminuição do processo inflamatório por meio das técnicas de eletroterapia. Em seguida, após a diminuição do processo inflamatório, as condutas fisioterapêuticas, são baseadas em exercícios de fortalecimento dos músculos de forma isolada, alongamentos, treino de coordenação e equilíbrio e preparo para o retorno do paciente as atividades funcionais.






- Cirúrgico: Quando ocorre a laceração ou ruptura significante do menisco medial ou lateral, ou quando o tratamento conservador de uma ruptura parcial não teve sucesso, em geral é necessária à intervenção cirúrgica. As opções cirúrgicas preferenciais são as menistectomias parciais (retirada parcial do menisco) e as cirurgias de reparo. A retirada de 15 a 34% do menisco aumenta em 350% a pressão no joelho.
As meniscectomias totais são realizadas em casos estremos, onde o local da lesão é pouco vascularizada, dificultando a redução do processo inflamatório e a cicatrização dos corpos meniscais. Esta técnica cirúrgica dificulta a reabilitação do individuo e, consequentemente, o retorno às atividades. Após a cirurgia a fisioterapia também se mostra muito eficiente.

12 de mar de 2012

Condromalácia Patelar

Estrutura
O joelho é formado por três ossos: o fêmur, a tíbia e a patela. Engloba, ainda, três articulações, sendo duas femoro-tibial (entre dos côndilos femorais – medial e lateral - e a superfície da tíbia) e uma patelo-femoral (entre face anterior dos côndilos femorais e a face posterior da patela).

Patologia

A condromalácia patelar (também conhecida como “joelho de corredor”) é uma patologia crônica degenerativa da cartilagem da articulação patelo-femoral, ou seja, é uma patologia que resulta no amolecimento e na degradação da cartilagem da superfície posterior da patela e dos côndilos.



Geralmente atinge jovens adultos, especialmente mulheres e atletas que realizam grande esforço com as pernas (corredores, jogadores de futebol, ciclistas e tenistas). Pode se manifestar em apenas um dos membros inferiores ou em ambos.
Devemos ressaltar, evitando-se confusões entre as patologias, que a condromalácia patelar trata-se da danificação da estrutura cartilaginosa patelo-femoral, ao passo que a síndrome da dor patelo-femoral (SDPF) refere-se ao estágio inicial dessa condição, quando os sintomas ainda podem ser completamente revertidos, sendo um termo genericamente usado nas dores referidas no joelho.

Causa
A condromalácia tem origem multifatorial, estando associada a fatores intrínsecos e extrínsecos. Vejamos:
Intrínsecos: são as variações da estrutura óssea, tanto na patela como no fêmur, e as disfunções musculares (atrofia ou fraqueza do músculo vasto medial - anterior da coxa - e com o encurtamento dos músculos ísquios tibiais - parte posterior da coxa). Esses fatores também acarretam em alterações no alinhamento patelo-femoral, como patela alta, aumento do ângulo Q (lateralização patelar) - o que justifica a maior ocorrência em mulheres, já que elas apresentam mais esse aumento do que os homens pelo quadril mais alargado -, esse desalinhamento patelar ocasiona atrito entre a superfície da patela e do fêmur, desse modo provocando um desgaste da cartilagem.
Extrínsecos: traumas em geral, excesso (grande número repetições) em atividade física e sobrecarga nos esportes de impacto.
Sinais e Sintomas
Dor na parte anterior do joelho (atrás e entorno da patela), edema, sensação rangedora e presença de crepitação e estalos. O quadro álgico (doloroso) ocorre principalmente quando o joelho flexionado, como ao subir e descer escadas, levantar-se de uma cadeira, ao se agachar, correr, bem como outras atividades similares, podendo levar a restrições na realização de atividades físicas e nos esportes.
Diagnóstico e classificação

O diagnóstico da condromalácia é feito por meio do histórico do paciente e pelo exame clínico. O teste específico mais utilizado é o de compressão patelar (sinal de Zohler). Para uma análise mais detalhada pode-se usar os exames de imagem, tais como: radiografia, tomografia e ressonância magnética.
Através dos exames complementares é possível classificar as lesões identificadas, divididas em graus. São eles:
Grau 1: amolecimento da cartilagem ou bolha da superfície articular cartilaginosa;
Grau 2: apresenta uma fissura superficial da cartilagem;
Grau 3: representa uma fissura mais profunda, que atinge o osso subcondral;
Grau 4: representa erosão e exposição do osso subcondral.
A importância de uma boa investigação está na indicação do tratamento a ser realizado.


Tratamento
O tratamento fisioterapêutico objetiva, principalmente, o alinhamento da patela. Havendo dor, devem ser ministrados métodos analgésicos e anti-inflamatórios (eletro e termoterapia, mobilizações articulares, descolamento miofascial). Com o alivio do quadro doloroso, o fisioterapeuta passa a utilizar exercícios para reforço e alongamento muscular, dando ênfase ao fortalecimento do músculo vasto medial, sempre com exercícios de baixo impacto. Durante esse tratamento, o paciente pode fazer uso de medicamentos (com devida prescrição médica) e órteses patelares.
Recomenda-se, durante o tratamento, repouso relativo, principalmente para evitar atividades que possam agravar a lesão, como esportes de impacto.
Em casos graves, pode ser necessário tratamento cirúrgico.



Orientações
• Evitar manter, por tempo demasiado, os joelhos flexionados em mais de 90 graus.
• Manter boa postura, evitando cruzar as pernas por longos períodos.
• Evitar subir e descer escadas.
• É importante avaliar o limite de extensão e flexão do joelho durante os exercícios, para não sobrecarrega-los e, assim, agravar a lesão.
• Reforçar os músculos fracos fazendo exercícios de baixo impacto (busque orientação profissional).
• Evitar exercícios e esportes de alto impacto (como o futebol, vôlei, basquete, corrida, ciclismo) e hiperflexão do joelho.
• Aplicar gelo no joelho após os exercícios.

Texto: Kátia Rech
Revisão e Edição: Leonardo Fratti Neves

8 de mar de 2012

Método Pilates: benefícios respiratórios

Introdução ao Método Pilates:

Joseph Pilates nasceu em 1880 na Alemanha e sempre apresentou problemas com sua fragilidade corporal. Determinado a melhorar sua condição física trabalhou incansavelmente com seu condicionamento muscular ao ponto de servir como modelo para desenhos anatômicos, aos 14 anos. Seguindo os passos de seu pai, foi um respeitado esportista, praticando e aprimorando-se em várias modalidades as quais relacionava todo o enfoque oriental de respiração com o seu futuro método. Sua forma de expirar tinha como objetivo reproduzir maior estabilidade da parte central do corpo, proporcionando movimentos mais livres e seguros dos apêndices corporais (membros inferiores e superiores.


Curiosidades em relação ao surgimento do método:

No inicio da primeira guerra mundial, as autoridades britânicas o confinaram nos campos de Lancaster, devido sua nacionalidade Alemã. Com isso, Joseph Pilates decidiu desenvolver ideias sobre saúde e condicionamento físico e as repassou para seus colegas de confinamento. Trabalhando como enfermeiro, experimentou utilizar as molas ligadas as camas hospitalares, de modo que os pacientes pudessem tonificar a musculatura antes mesmo de levantarem.
No período pós-guerra, Pilates volta à Alemanha e faz seu primeiro contato com o mundo da dança, conhecendo mentores que passaram a difundir algumas de suas técnicas de conscientização corporal. Em 1926 parte para Nova York e durante sua viajem conhece Clara, sua futura esposa. Ambos falavam e discutiam a respeito das necessidades do ser humano de manter um corpo saudável. Após isso, decidiram abrir um estúdio em NY que tinha por finalidade ensinar os conhecimentos e técnicas do seu programa de condicionamento físico.
O método tornou-se um sucesso, difundindo-se entre os dançarinos. Profissionais da dança renomados recomendavam a técnica para seus próprios alunos. Os mesmos, sempre propensos à lesão, descobriram que estes exercícios levavam a uma recuperação mais acelerada, levando em conta que os efeitos terapêuticos da reabilitação ainda não eram conhecidos nesta época.

Respiração:

A função muscular respiratória é essencial para a vida. Entretanto, ao contrário dos demais músculos esqueléticos, os músculos envolvidos na respiração realizam contrações sucessivas, aproximadamente 12 a 20 contrações por minuto, e estes, em condições fisiopatológicas podem desencadear alterações na função pulmonar. Para a função do musculo se manter integra, tem sido preconizada a prática regular de exercícios físicos, pois, assim como os demais músculos esqueléticos, os músculos respiratórios também respondem de forma positiva durante o treinamento físico. Dentre as diversas maneiras de estabelecer este condicionamento físico, encontra-se o Pilates que usa como principal resistência o auxilio de molas e o peso corporal, associado à gravidade, juntamente com movimentos respiratórios elaborados. A obstinação de Joseph pela forma adequada de respirar fez com que este ato se torna-se um dos diferencias da técnica. Segundo ele, o ato de respirar corretamente durante o exercício “filtra” o sangue, proporcionando um melhor funcionamento dos órgãos. Baseado nesse conceito foi desenvolvida uma mecânica respiratória eficiente, proveniente da Ioga mesclado com a maneira de respirar dos lutadores de artes marciais e a característica respiração dos bailarinos.


*Como procede à respiração:

Durante a inspiração, o diafragma se contrai, empurrando os órgãos inferiormente, fazendo com que os pulmões se encham devido a diferenças de pressão. Neste momento acontecem trocas gasosas a nível alveolar, ou seja, o sangue é oxigenado. Em um segundo momento ocorrerá o movimento desejado associado de uma expiração e contração da musculatura do transverso do abdome, estabilizando o quadril durante o movimento. O ato de “filtrar” o sangue, como mencionado acima, significa oxigená-lo, proporcionando um aporte de oxigênio adequado para a formação de energia, que será usada pelos tecidos musculares.
Devido este mecanismo, o método Pilates é considerado uma excelente técnica para aperfeiçoar o funcionamento da musculatura respiratória, assim como oxigenar adequadamente os tecidos alvos.


Criação do texto: Gregório Weinmann
Revisão: Manoela Heinrichs