29 de ago de 2012

Lesão cerebral traumática: Lesões do sistema nervoso central podem acontecer por qualquer tipo de acidente traumático, como por exemplo: acidentes automobilísticos ou objetos penetrantes, podendo acometer diversas estruturas cerebrais, dividindo-se em lesões focais e difusas.
Lesões focais ocorrem no local do trauma inicial, quando o tecido cerebral é lesado devido ao impacto do cérebro com o crânio. Utilizando o exemplo do acidente automobilístico, na maioria das vezes o cérebro choca-se com a região frontal do crânio, proporcionando, ocasionalmente uma lesão na região frontal do córtex. Lesões difusas podem acontecer por hipóxia ou isquemia (falta de oxigenação das células) ou por aumento de pressão intracraniana. O edema cerebral é um exemplo disso, pois como o cérebro está contido no crânio rígido, qualquer acumulo de liquido fora de suas dimensões normais pode ocasionar no aumento de pressão de determinadas regiões cerebrais. Este aumento de pressão é prejudicial, pois dificulta a circulação de sangue rico em oxigênio, podendo levar o tecido a morte. Lesões em vias venosas se manifestam de maneira mais lenta, devido à diferença de pressão existente entre veias e artérias. Artérias necessitam de uma pressão maior, pois transportam sangue rico em oxigênio e as trocas gasosas realizadas nos demais tecidos é regulada por esta diferença pressórica. Baseado nisso, o aumento do edema em uma lesão arterial será mais rápido.
Lesões cerebrais traumáticas podem causar disfunções para toda a vida, que afetam ou limitam o individuo de realizar suas atividades de vida diária, prejudicando o mesmo de voltar à escola, trabalho ou até mesmo as necessidades mais simples em sua casa. O papel do fisioterapeuta não é somente melhorar as habilidades funcionais, mas também os déficits funcionais ocasionados pelas restrições físicas, sensoriais, visuais, cognitivas, emocionais e comportamentais, dependendo da gravidade da lesão. Devemos lembrar que o cérebro é uma região muito complexa que coordena todas as funções citadas à cima, ou seja, qualquer alteração existente nessa estrutura pode acarretar primeiramente em respostas motoras inadequadas e, consequentemente, deformidades estruturais indesejadas, adquiridas com o tempo. A fisioterapia atua tanto na reaprendizagem destas funções, quanto para minimizar as restrições funcionais que podem se instalar com o passar do tempo. Técnicas como alongamentos e mobilizações articulares são de extrema importância para manutenção das amplitudes de movimento desejadas, enquanto que outras técnicas como fortalecimento muscular e propriocepção contribuem para o que chamamos de recondicionamento muscular e reaprendizagem de movimentos.
Texto: Gregório W. Edição e Revisão: Manoela Heinrichs